Cronologia Básica da Vida de Martinho Lutero (1483-1546)

[A maior parte dos dados retirados de Roland H. Bainton, Here I Stand – uma biografia de Lutero escrita em 1950, e de Williston Walker, História da Igreja Cristã (4a edição, trad. brasileira].

1483 (10/11):
Nascimento, em Eisleben, Alemanha (perto de Halle). A cidade existe até hoje. Vide no Google Maps.

1501 (Maio):
Aos dezoito anos, incompletos, vai para a universidade, em Erfurt. A cidade é maior do que Eisleben e está no Google Maps.

1501 (29/09):
Obtém o chamado Bacharelado em Artes na Universidade. Este parece ser um reconhecimento da escolaridade básica que Lutero havia recebido até aquele momento, visto que foi recebido no mesmo ano em que ele entrou na universidade.

1505 (07/01):
Obtém o chamado Mestrado em Artes ainda na Universidade de Erfurt. Foi a partir desta data que seu pai, Hans Luther, começou a tratá-lo pela forma mais solene (“Sie”, equivalente a “Senhor”), em vez de “Du” (Tu, Você).

1505 (02/07):
Em meio a uma tempestade feroz, Lutero, quando ia de casa para a Universidade, é atingido por um raio e cai em terra. Pensando que iria morrer, invoca Santa Ana (supostamente a mãe de Maria, mãe de Jesus, e, portanto, avó de Jesus) e pede que ela o socorra, prometendo se tornar um monge, se for salvo. (O plano original é que ele viesse a estudar Direito).

1505 (17/07):
Cumprindo sua promessa, Lutero, sem voltar para sua casa e sem consultar sua família, entra no Mosteiro Agostiniano de Erfurt como noviço.

1507 (02/05):
Depois de ordenado padre, Lutero oficia sua primeira missa.

1508:
Lutero é convidado a dar aula durante um semestre na Universidade de Wittenberg, para onde se muda. A Universidade havia sido criada em 1502 pelo Príncipe Frederico III, o Sábio, da Saxônia, que vai proteger Lutero enquanto ele, Frederico, viver. O príncipe, nascido em 1463, vinte anos antes de Lutero, vai morrer em 5 de Maio de 1525. Em Wittenberg, Lutero fica no mosteiro agostiniano.

1509:
Lutero recebe o grau de Bacharel em Teologia da Universidade de Wittenberg e volta para Erfurt.

1510 (Nov):
Por seis meses, de Novembro de 1510 a Abril de 1511 Lutero faz uma viagem a Roma, para resolver algumas questões acerca de sua ordem. Roma lhe causa uma péssima impressão.

1511 (Abr)
Lutero volta para Wittenberg, e passa novamente a morar no mosteiro agostiniano, para se preparar para ser o professor de Teologia na Universidade de Wittenberg, no lugar de Johann von Staupitz, o superior da ordem. Von Staupitz assume a função de mentor e conselheiro espiritual de Lutero, e vai ser uma âncora para Lutero, durante as diversas crises pelas quais passou o reformador.

1512 (19/10): Lutero recebe o grau de Doutor em Teologia das mãos do Chanceler / Reitor da Universidade, Andreas Bodenstein von Karlstadt. Lutero tem 29 anos, assume a prometida cadeira de professor de Teologia na Universidade, agora em caráter definitivo.

1515:
Além de professor, Lutero passa a ser Diretor de Estudos na Universidade de Wittenberg – algo mais ou menos equivalente a Coordenador de Curso hoje.

1517 (31/10)
Revoltado com o fortalecimento das vendas de Indulgências, em especial por John Tetzel, Lutero, segundo a tradição, fixa, na porta da igreja de Wittenberg, suas 95 Teses criticando essa prática da Igreja Católica.

1518 (26/04):
Lutero participa de um debate em Heidelberg, contra John Meyer Eck, de Ingolstadt, antigo amigo de Lutero. No debate, Lutero apresenta suas “Teses de Heidelberg”.

1518 (Jun)
Lutero é intimado a ir a Roma, para se explicar, mas se nega a ir.

1518:
O Príncipe Frederico III da Saxônia intercede a favor de Lutero e pede que ele seja ouvido por um representante papal em Augsburg, cidade alemã dentro dos domínios do Príncipe. O Papa Leão X concorda e designa o Cardeal Cajetano para a missão de conseguir que Lutero se retrate.

1518 (Out):
Lutero se encontra em Augsburg com o Cardeal Cajetano, enviado do Papa, que exige a retratação das críticas por ele feitas à doutrina das Indulgências e ao Papado. Lutero se nega a retratar-se.

1518 (20/10):
Lutero apela ao Papa e pede a convocação de um Concílio Geral para discutir e avaliar suas ideias.

1519 (Jan):
Maximiliano II, Imperador do Sacro Império Romano, morre.

1519 (Jun):
Com Andreas Bodenstein von Karlstadt, seu chefe e colega em Wittenberg, Lutero participa de um debate em Leipzig, contra John Meyer Eck, de Ingolstadt.

1519 (28/06)
Carlos II da Espanha, neto de Maximiniano, falecido em Janeiro, é escolhido Imperador do Sacro Império Romano, e é entronizado com o nome de Carlos V, passando, assim, a ser o líder do maior território da Europa do século 16: Espanha, Holanda, Alemanha, Áustria, parte da Itália, e os territórios espanhóis nas Américas.

1520 (15/06)
O Papa Leão X baixa uma Bula, com o título Exsurge Domine, em que condena as ideias e os livros de Lutero. Essa Bula basicamente garante a excomunhão de Lutero.

1520:
De Agosto a Novembro, Lutero escreve Três Tratados altamente críticos da Igreja Católica e do Papado: Carta à Nobreza Alemã, O Cativeiro Babilônico da Igreja, e A Liberdade do Homem Cristão. Parece que, a partir desses escritos, o caminho de Lutero não tem mais retorno. Ou ele se retrata, ou será excomungado e, quem sabe, martirizado pela Igreja Católica, com o apoio do Imperador Carlos V.

1520
Girolamo Aneander, núncio Papal, não consegue publicar na Alemanha a Bula em que o Papa condena Lutero. Só consegue publica-la na Holanda.

1520 (10/12)
Lutero publicamente queima a Bula Papal que condenava suas ideias e publicações e também uma cópia dos livros de Direito Canônico.

1521 (Abril):
Lutero vai se defender junto à Dieta de Worms, com a presença do Príncipe Frederico III e do Imperador Carlos V. Ele é atacado por John Eck de Trier (não confundir com o outro, de Ingolstadt). Lutero se recusa a retratar-se e é condenado (proscrito no Império), mas Frederico III e manda sequestra-lo, para que não fosse preso pelo Imperador, a pedido do Papa Leão X, e o prende no Castelo de Wartburg. O cisma está basicamente caracterizado. A proscrição de Lutero por parte do Sacro Império Romana nunca veio a ser revogada, mas nunca foi realmente colocada em prática – graças à proteção de Frederico III e, depois de sua morte, de seu irmão, que assumiu o governo da Saxonia.

1522 (06/03):
O movimento de Reforma começa a se descontrolar, sob a influência de Andreas Bodenstein von Karlstadt, colega e chefe de Lutero na Universidade de Wittenberg. Monges abandonam os mosteiros, Karlstadt serve o vinho aos leigos na missa, etc. Lutero sai do esconderijo em Wartburg e volta para Wittenberg, contra a vontade do Príncipe, passando a recontrolar o curso dos eventos e assumindo uma postura mais conservadora, menos radical. O relacionamento entre Lutero e Karlstadt deteriora consideravelmente.

1522 (Set):
Publicada a tradução de Lutero para o Alemão do Novo Testamento no original Grego.

1525:
Eclode a Revolta dos Camponeses.

1525 (05/05)
Morre Frederico III da Saxônia, o grande protetor de Lutero. Contudo, ele foi substituído por seu irmão, João, o Firme, um seguidor declarado, ativo e “firme” de Lutero. Afinal de contas, Lutero ficou fortalecido.

1525 (13/06):
Lutero se casa com Katharina von Bora, uma ex-freira.

1525:
Erasmo e Lutero debatem, por escrito, a questão do Livre Arbítrio. Lutero defende a tese da Servitude do Arbítrio. Em decorrência do debate os dois se distanciam ainda mais um do outro

1527:
Lutero compõe o hino “Castelo Forte é o Nosso Deus”.

1529 (Fev)
Na segunda Dieta de Speier, com maioria católica, um bom número de Príncipes Alemães defende Lutero e protesta contra a condenação das ideias de Lutero e a tentativa, por parte da maioria católica, de restabelecer o direito dos católicos em território alemão. O “Protestatio” deu origem ao termo “Protestante” para designar os partidários da Reforma.

1530:
A Confissão de Augsburg é aprovada.

1534:
Lutero publica a tradução completa da Bíblia para o Alemão.

1546 (18/02):
Lutero morre aos 62 anos.

Em São Paulo, 14 de Agosto de 2014; revisto em Salto, 21 de Maio de 2017.

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