Principais Doutrinas de Lutero – Versão 1

[Esta versão do post foi escrita em 14/8/14 e deve ser considerada como Versão 1. Uma nova versão foi acrescentada aqui no blog em 27/8/14, com o mesmo título, mas com o acréscimo de “Versão 2”. Favor considerar preferencialmente a Versão 2]

A Justificação pela Graça (Sola Gratia)

“O que devo fazer para ser salvo?” Contra a Igreja Católica Medieval, que respondia a essa pergunta com “participação nos Sacramentos, ocasião em que se recebe a graça divina, e “boas obras”, em que se conquistam méritos para a salvação, Lutero defendeu a tese de que o ser humano, por causa da Queda de Adão, no Éden, foi “totalmente corrompido”, e, portanto, é totalmente incapaz de fazer qualquer coisa, por mínima que seja, para sua salvação. Felizmente, Deus intervém e, exclusiva e totalmente pela sua graça (sola gratia), sem qualquer participação do homem, justifica o pecador, e, assim, o perdoa, sem qualquer participação ou concorrência ou sinergismo nesse ato do beneficiado. Nem mesmo a aceitação dessa graça, por parte do homem, através da fé, ele consegue fazer: até a fé é um dom divino (e, por conseguinte, um milagre). O dom da graça, portanto, é irrecusável ou irresistível por parte daqueles a quem é destinado. Mas esse dom não é dado a todos. Lutero defende a doutrina da predestinação no sentido duplo: para a salvação e para a condenação eterna.

A Servitude da Vontade (De Servo Arbitrio)

Decorre do dito anteriormente que a vontade humana, no tocante à opção pela salvação, é, por causa do pecado original, serva ou escrava de Satanás, sendo incapaz de escolher a salvação. Esta vem pela graça – e até a fé é um dom de Deus, não uma realização do ser humano.

A autoridade da Escritura (Sola Scriptura) 

Sabemos disso, afirma Lutero, pela revelação divina na Escritura – e apenas nela (sola Scriptura). Lutero rejeita a razão humana, a experiência humana (religiosa ou mística), as decisões dos Concílios, a tradição da igreja e os pronunciamentos papais como fontes autoritárias da revelação. Lutero também rejeita, frontalmente, a tese de que apenas a Igreja, ultimamente através do Papa, está autorizada a interpretar as Escrituras Sagradas.

 A “Ideia Perigosa” de Lutero  

Mas se não é a igreja que interpreta as Escrituras, quem o faz? É o crente, individualmente, que está autorizado a interpretar as Escrituras como sua razão e sua consciência lhe determinarem – porque todo crente é, necessariamente, um sacerdote.[A expressão “ideia perigosa” é de Alister McGrath, em A Revolução Protestante).

O Secular e o Profano, o Temporal e o Eterno, o Carnal e o Espiritual

Lutero abole a distinção, ensina que o serviço a Deus é feito dentro das profissões ditas seculares, não em funções monásticas ou clericais, e nega que o Papa, suposto chefe do poder espiritual, tenha qualquer ascendência sobre os detentores do poder secular.

Em São Paulo, 14 de Agosto de 2014

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