Prova de História da Igreja 4 (Século 20)

[NOTA: Prova para ser feita individualmente, embora seja admissível e até encorajada a discussão com os colegas e com outros professores como preparação para a elaboração das respostas. A prova pode ser feita em qualquer lugar, até mesmo em casa, e é de consulta livre a qualquer fonte que o aluno tiver interesse de pesquisar. Devolver até o dia 9 de Outubro de 2014, durante a aula.]

PERGUNTAS

1. Karl Barth insiste que a Palavra de Deus se revelou na pessoa de Jesus Cristo, e que a Bíblia é um documento humano, embora especial e único, que dá testemunho à Palavra de Deus revelada em Jesus Cristo. a) Você acha que essa doutrina da Palavra de Deus é compatível com a doutrina reformada da inspiração e da autoridade das Escrituras?  b) Você acha que essa posição de Barth é suficiente para libera-lo para aceitar, sem receios e pruridos, a crítica histórico-literária da Bíblia, e para rejeitar a veracidade ou historicidade de algumas passagens bíblicas, como o relato do nascimento virginal?  

2. Rudolf Bultmann defende a tese de que boa parte do Novo Testamento contém elementos que não passam de uma visão de mundo (ou cosmologia) antiquada e obsoleta, expressa na linguagem do mito e não na linguagem da ciência e que esse fato torna esses elementos inaceitáveis ao homem de hoje. Além disso, sua distinção entre Historie (a história que relata o acontecimento de fatos no passado) e Geschichte (o impacto que o relato desses fatos passados possa ainda ter sobre nós no presente), parece que o leva a desprezar qualquer coisa que pareça apenas historisch, como os fatos da vida de Jesus, incluindo os relatos de seus milagres, de sua morte e de sua ressurreição, e a afirmar que a ressureição de Jesus proclamada na pregação da igreja (e, portanto, geschichtlich) é verdadeira mesmo que Jesus não tenha fisicamente ressuscitado três dias após a sua morte. Você acha que essas teses de Bultmann (a) fazem sentido? E, se forem aceitas, (b) deixam ainda algum espaço significativo para algo que possa ser válida e legitimamente denominado de “fé cristã”?

3. Paul Tillich, como é sabido e notório, afirma que Deus é “O Fundamento do Ser” (“The Ground of Being”). Sendo isso, Deus não poderia ser propriamente considerado “um ser” (entre outros). Em uma conversa com seus alunos  (transformada em livro), que inclui uma discussão do conceito, da possibilidade e da credibilidade de milagres, ele é acusado de se recusar a interpretar literalmente os milagres de Jesus. Na sua resposta ele pergunta o que o aluno entende por milagres e o aluno responde que milagres são “suspensões das leis da natureza”. Tillich responde que esse conceito de milagres é uma das coisas que ele mais combate em sua obra. Na verdade, ele chama esse conceito de milagre de “uma distorção demônica daquilo que o Novo Testamento entende por milagre”. Ela é uma distorção do Novo Testamento porque, segundo ela, para efetuar a salvação do homem, Deus precisaria destruir a ordem do universo que ele mesmo criou. E é demônica, porque, segundo esse entendimento, Deus é rachado em dois, bem no meio, ficando incapaz de exercer o seu poder criativo. Tillich não nega, no curso da discussão, que possam acontecer e que tenham acontecido (inclusive nos relatos do Novo Testamento) “coisas surpreendentes”, sobre as quais é possível discutir inteligentemente — algo que, segundo ele, é impossível quando se define milagre como “suspensão das leis da natureza”. Além disso, Deus, sendo “O Fundamento do Ser”, não poderia irromper no universo criado, das coisas, dos animais e dos seres humanos, para fazer algo que contrariasse a ordem desse próprio universo, como se ele fosse um ser, entre outros, apenas muito mais poderoso, inteligente, bondoso, etc. Se Deus é um ser, ele é, segundo Tillich, apenas uma divindade do mesmo nível que Zeus e outros deuses pagãos. Pergunta: O que você acha dessas ideias de Tillich? Elas fazem sentido? São verossímeis? São atraentes? O que sobra da doutrina da Incarnação (a ideia de que Deus veio habitar entre nós na pessoa de Jesus Cristo) quando são aceitas ideias como as de Tillich?

4. Comente a afirmação de que “O Céu é um lugar aqui na Terra” — e que o Reino de Deus é, por conseguinte, um Reino de Deus na Terra.

5. Você acha possível e provável que ainda venhamos a ter, dentro de nossa igreja, uma nova controvérsia parecida com a Controvérsia Fundamentalista-Modernista que assolou a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos no final do Século 19 e começo do Século 20, e, numa versão mais tupiniquim, as Igrejas Protestantes brasileiras, inclusive as Presbiterianas, a segunda metade do Século 20? Se achar possível e provável, acredita que haja algo que possamos fazer para evitar que aconteça ou para reduzir os seus danos? Ou esse tipo de coisa seria inevitável?

6. Se as Igrejas Protestantes, entre elas as Presbiterianas, brigam tanto umas com as outras e dentro de si mesmas, é viável um Movimento Ecumênico que aproxime e, quem sabe, reúna as Igrejas Protestantes umas com as outras, e elas com a Igreja Católica Romana e o Cristianismo Ortodoxo, e todos esses com as religiões não cristãs?

Eduardo Chaves

2 de Setembro de 2014

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