Os Cinco Pontos do Arminianismo (Remonstrância)

Jacó ARMINIO era um pastor e professor de teologia holandês do final do Século 16 e princípio do Século 17. Ele nasceu em 1560 e morreu em 1609.

Sua formação teológica era inteiramente calvinista. Na realidade, ele estudou em Genebra, sob Teodoro BEZA, sucessor imediato de Calvino. Mas ele não aceitava totalmente o entendimento de Calvino promovido por Beza. Rejeitava, em especial, a interpretação Supralapsariana dos chamados “Decretos Divinos”, que tornava virtualmente impossível dar uma interpretação mais “generosa” da doutrina da Dupla Predestinação.

Há uma biografia bem escrita de Armínio (dentro dos cânones e limites da Wikipedia) tanto na Wikipedia em Português como na Wikipedia em Inglês:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacó_Armínio

http://en.wikipedia.org/wiki/Jacobus_Arminius

Sobre suas ideias e sobre o que fizeram delas os seus seguidores, vide também a Wikipedia, em Português e em Inglês:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arminianismo

http://en.wikipedia.org/wiki/Arminianism

Depois da morte de Armínio, a controvérsia entre os seguidores dele e os calvinistas mais radicais estava cada vez mais radicalizadad.

Os chamados Cinco Pontos do Arminianismo foram aprovados por um grupo de seus seguidores em 1610. O documento começou a ser elaborado em Haia, em Janeiro de 1610 e foi finalmente aprovado no mês de Julho.

Ele se resume em cinco artigos, que, posteriormente, foram rejeitados pelo Sínodo de Dort, em 1618-1619, que, por sua vez, aprovou os chamados Cinco Pontos do Calvinismo.

É preciso deixar claro, porém, que, embora os Cinco Pontos que se opõem aos do Arminianismo sejam chamados de Cinco Pontos do Calvinismo, os Arminianos se consideravam calvinistas, só rejeitando a visão Supralapsariana de Beza e uma interpretação específica da doutrina da predestinação e suas implicações.

Eis os Cinco Pontos do Arminianismo, como aprovado no documento daqueles que vieram a ser chamados de Remonstrantes (e seu movimento de Remonstrância / Remonstrantia, em Latim), transcritos em tradução:

“Artigo I – Que Deus, por um eterno e imutável plano em Jesus Cristo, seu Filho, antes que fossem postos os fundamentos do mundo, determinou salvar, de entre a raça humana que tinha caído no pecado – em Cristo, por causa de Cristo e através de Cristo – aqueles que, pela graça do Santo Espírito, crerem neste seu Filho e que, pela mesma graça, perseverarem na mesma fé e obediência de fé até o fim; e, por outro lado, deixar sob o pecado e a ira os contumazes e descrentes, condenando-os como alheios a Cristo, segundo a palavra do Evangelho de Jo 3.36 e outras passagens da Escritura.

Artigo II – Que, em concordância com isso, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens, de modo que obteve para todos, por sua morte na cruz, reconciliação e remissão dos pecados; contudo, de tal modo que ninguém é participante desta remissão senão os crentes.

Artigo III – Que o homem não possui por si mesmo graça salvadora, nem as obras de sua própria vontade, de modo que, em seu estado de apostasia e pecado para si mesmo e por si mesmo, não pode pensar nada que seja bom – nada, a saber, que seja verdadeiramente bom, tal como a fé que salva antes de qualquer outra coisa. Mas que é necessário que, por Deus em Cristo e através de seu Santo Espírito, seja gerado de novo e renovado em entendimento, afeições e vontade e em todas as suas faculdades, para que seja capacitado a entender, pensar, querer e praticar o que é verdadeiramente bom, segundo a Palavra de Deus [Jo 15.5].

Artigo IV – Que esta graça de Deus é o começo, a continuação e o fim de todo o bem; de modo que nem mesmo o homem regenerado pode pensar, querer ou praticar qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação para o mal sem a graça precedente (ou preveniente) que desperta, assiste e coopera. De modo que todas as obras boas e todos os movimentos para o bem, que podem ser concebidos em pensamento, devem ser atribuídos à graça de Deus em Cristo. Mas, quanto ao modo de operação, a graça não é irresistível, porque está escrito de muitos que eles resistiram ao Espírito Santo.

Artigo V – Que aqueles que são enxertados em Cristo por uma verdadeira fé, e que assim foram feitos participantes de seu vivificante Espírito, são abundantemente dotados de poder para lutar contra Satã, o pecado, o mundo e sua própria carne, e de ganhar a vitória; sempre – bem entendido – com o auxílio da graça do Espírito Santo, com a assistência de Jesus Cristo em todas as suas tentações, através de seu Espírito; o qual estende para eles suas mãos e (tão somente sob a condição de que eles estejam preparados para a luta, que peçam seu auxílio e não deixar de ajudar-se a si mesmos) os impele e sustenta, de modo que, por nenhum engano ou violência de Satã, sejam transviados ou tirados das mãos de Cristo [Jo 10.28]. Mas quanto à questão se eles não são capazes de, por preguiça e negligência, esquecer o início de sua vida em Cristo e de novamente abraçar o presente mundo, de modo a se afastarem da santa doutrina que uma vez lhes foi entregue, de perder a sua boa consciência e de negligenciar a graça – isto deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada nas Santas Escrituras antes que possamos ensiná-lo com inteira segurança.”

Transcrevo-os da Wikipedia em Português:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinco_Artigos_da_Remonstrância

Uma tradução mais simplificada e mais clara (porque condensada) desses Cinco Pontos é fornecida por Roger E. Olson, Teologia Arminiana: Mitos e Realidades (Editora Reflexão, 2013), tradução brasileira de Wellington  Carvalho Mariano do original em Inglês Arminian Theology: Myths and Realities (InterVarsity Press, 2006):

  1. Que Deus, por um decreto eterno e imutável em Cristo, antes que o mundo existisse, determinou eleger para a vida eterna, dentre a raça caída e pecadora, aqueles que, através de sua graça, creem em Jesus Cristo e perseveram na fé e obediência; e que, opostamente, resolveu rejeitar os inconversos e os descrentes para a condenação eterna (João 3:36);
  2. Que, em decorrência disso, Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens, de modo que ele obteve, pela morte na cruz, reconciliação e perdão pelo pecado para todos os homens; de tal maneira, porém, que ninguém senão os fiéis, de fato, desfrutam destas bênçãos (João 3:16, I João 2:2);
  3. Que o homem não podia obter a fé salvífica de si mesmo ou pela força de seu próprio livre-arbítrio, mas se encontrava destituído da graça de Deus, através de Cristo, para ser renovado no pensamento e na vontade (João 15:5);
  4. Que esta graça foi a causa do início, desenvolvimento e conclusão da salvação do homem; de forma que ninguém poderia crer nem perserverar na fé sem esta graça cooperante, e consequentemente todas as boas obras devem ser atribuídas à graça de Deus em Cristo. Todavia, quanto ao modus operandi desta graça, não é irresistível (Atos 7:51);
  5. Que os verdadeiros cristãos tinham força suficiente, através da graça divina, para enfrentar Satanás, o pecado, o mundo, sua própria carne, e a todos vencê-los; mas que se por negligência eles pudessem se apostatar da verdadeira fé, perder a felicidade de uma boa consciência e deixar de ter essa graça, tal assunto deveria ser mais profundamente investigado de acordo com as Sagradas Escrituras.

Em São Paulo, 8 de Outubro de 2014

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