“TULIP”: Os Cinco Pontos do Calvinismo

Dentre os principais atributos de Deus estão:

  • Eternidade ==> ele não tem começo nem fim
  • Onisciência ==> ele tudo sabe
  • Onipotência ==> ele tudo pode
  • Perfeita Bondade ==> ele é perfeitamente bom
  • Absoluta Soberania ==> ele é absolutamente soberano, isto é, livre para fazer o que quer, quando quer, da forma que quer.

Em sua Absoluta Soberania, Deus criou o homem o mundo e, dentro dele, o homem. Ao ser criado, o homem era sem pecado e basicamente bom — mas possuía livre arbítrio, isto é, liberdade para continuar sendo bom ou deixar de fazer o bem.

Usando sua liberdade, o homem desobedeceu ao único mandamento que Deus lhe havia dado. Essa foi sua queda, mediante a qual o pecado entrou no mundo. Através dela, ele se separou de Deus.

Esse pecado original é transmitido de geração em geração.

Por causa da queda de nossos primeiros pais, o homem não pode (i.e., não consegue) fazer nada para restabelecer o relacionamento correto com Deus, isto é, para se salvar.

Deus, por sua vez, não precisa fazer nada para salvar o homem, porque o homem caiu de sua mais livre e espontânea  vontade.

Assim, Deus poderia deixar que todos os homens seguissem seu destino, que seria, como é, a perdição eterna, isto é, a uma vida eterna distante de Deus.

No entanto, Deus, em sua Absoluta Soberania , e em sua Perfeita Bondade, decidiu salvar alguns. Poderia ter escolhido salvar todos, mas decidiu não fazê-lo.

É esse o quadro. E este é o Plano da Salvação de Deus, esquematizado no famoso acróstico “TULIP”:

  • Total Depravity
  • Unconditional Election
  • Limited Atonement
  • Irresistibility of Grace
  • Perseverance of the Saints

1. A Total Depravação do Homem –> Total Depravity

Tendo sido criado livre, o homem usou mal a sua liberdade e pecou. O pecado corrompeu todo o seu ser: intelecto, vontade, emoções, corpo, alma. Não sobrou nada, nem um aspecto pequeno, mínimo que fosse, sem a contaminação do pecado. Esse pecado original é transmitido aos descententes do primeiro casal. Assim, o homem não pode fazer nada, absolutamente nada, para sair dessa condição de uma vida em pecado, totalmente afastada de Deus.

2. A Eleição Predestinada de Alguns –> Unconditional Election

Deus, em sua Absoluta Soberania, e também em sua Perfeita Bondade, e com base em seus decretos (suas decisões) insondáveis, elegeu salvar alguns, trazendo-os para perto de si, como eleitos. Ele fez isso sem que houvesse qualquer mérito nos eleitos que os diferenciasse dos não-eleitos. Ao eleger apenas alguns, Deus não escolheu condenar os não-eleitos à uma vida eterna distante dele: essa escolha foi feita por eles. Mas Deus escolheu os eleitos e essa escolha foi feita desde o início dos tempos, antes mesmo de eles nascerem, ou de Adam e Eva terem pecado, ou de o mundo ter sido de fato criado.

3. A Natureza Restrita Obra Expiatória de Cristo –> Limited Atonement

Para purificar os eleitos, isto é, torna-los novamente puros, perdoando os seus pecados, Deus escolheu o sacrifício de seu filho, Jesus Cristo, que por sua morte expiou os pecados dos eleitos, redimiu-os (pagando o preço de seus resgate), e os trouxe novamente para perto de Deus. A obra expiatória de Cristo não é universal: ela não alcança os não-eleitos — beneficia apenas os eleitos.

4. A Irresistibilidade da Graça –> Irresistibility of Grace

A redenção dos eleitos é obra de Deus, não dos próprios eleitos: é um dom de Deus, decorrente exclusivamente da graça divina (sola gratia), não sendo, de forma alguma, obra humana, nem tendo a participação humana. O ser humano não tinha e não tem condição de contribuir em nada no processo de sua redenção. E não pode resistir a ela, porque a graça de Deus é irresistível — pois sua Onipotência não permite que o homem resista a ele. A fé não passa da aceitação passiva desse fato. Ela não é realização humana, também é dom de Deus, e, por isso, não é, da parte do homem, nem mesmo uma condição para a sua salvação — no caso dos eleitos. No caso dos não-eleitos, eles podem até mesmo ter fé — a Bíblia diz que os demônios a têm — mas não serão salvos.

5. A “Imperdibilidade” da Salvação –> Perseverance of the Saints

Da mesma forma que a graça é irresistível, a salvação que ela dá ao homem é “imperdível”: não há como o eleito se safar dela, ainda que o deseje. Aquilo que chamamos de “não ter fé” é o estado em que o homem tenta resistir à aceitação desse fato. Mas se ele for eleito, é fútil essa tentativa de resistência, porque ele vai ser salvo e vai perseverar (i.e., permanecer) para sempre na condição de eleito, sem, também, ter condições de perde-la ou de deixar de se beneficiar dela. O pior da chamada “falta de fé” por parte do eleito é a indelicadeza de não aceitar e agradecer a salvação gratuitamente oferecida.  A fé ou a ausência dela por parte dos não-eleitos não faz diferença.

Esses Cinco Pontos foram aprovados no Sínodo de Dort, realizado na Holanda em 1618. Para uma breve história do Sínodo de Dort e os seus “Cânones” (no caso, suas determinações) vide o breve artigo de Alderi Souza de Matos:

http://www.mackenzie.com.br/7057.html

Vide também um artigo mais longo, de John R. de Witt:

http://www.monergismo.com/textos/credos/sinodo_dort_witt.htm

Em São Paulo, 3 de Setembro de 2014 [editado em 7 de Outubro de 2014]

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