Cronologia Básica da Vida de João Calvino (1509-1564)

1509 (10/7) – Jean Cauvin (depois Calvin) nasce em Noyon, na região da Picardia, na França

1515-1522 – Calvino az seus estudos elementares em Noyon, dos 6 aos 13 anos.

1523 – Calvino recebe, aos 13 anos, um benefício ou cargo remunerado (no caso, a Capelania de La Gèsine) da Igreja Católica Romana de Noyon, onde seu pai trabalhava como notário e advogado, com o entendimento que iria estudar para ser padre – e, como era um menino brilhante, para ser um teólogo. Calvino recebe até mesmo o corte de cabelo típico dos clérigos (la tonsure).

1523 (10/7) – Com 14 anos, Calvino vai para Paris, onde se matricula na Universidade de Paris, frequentando dois de seus “Collèges”: Collège de la Marche e Collège de Montaigu. (Alguns historiadores, como Alister E. McGrath, que é biógrafo de Calvino, colocam em dúvida se ele realmente estudou no Collège de la Marche). Em Paris faz o Curso Básico de Humanidades e Filosofia, tornando-se Licenciado em Artes (Licencié en Arts), preparação exigida de qualquer um que quisesse continuar seus estudos nos cursos principais de Teologia, Direito e Medicina. Ele ficou em Paris até por volta de 1528, ou seja, durante 5 anos. Não há evidência de que, nesse período, Calvino tenha estudado Teologia — embora fosse impossível que alguém, na universidade, ficasse sem nenhum contato com as ideias teológicas que fermentavam a vida intelectual daquela época, dadas as controvérsias em curso na Alemanha.

1528 – Calvino vai para a Universidade de Orléans, estudar Direito com Pierre l’Estoile, chamado de “o príncipe dos advogados franceses”. A mudança para Direito se deu sob pressão do seu pai, que havia tido algum desentendimento com o Bispado de Noyon e concluiu que Direito seria um futuro mais promissor para o seu filho do que a Igreja ou a Teologia. Calvino ficou apenas um ano em Orléans.

1529 – Calvino vai para a Universidade de Bourges, também para estudar direito. Havia uma tradição de estudo humanístico do direito em Bourges. Ele ficou quase dois anos ali.

1531 – Calvino volta para Orléans e recebe o grau de Licenciado em Direito (Licencié ès Lois).

1531 – O pai de Calvino morre – e, com sua morte, desaparece a pressão para que Calvino se dedicasse a uma carreira na área do Direito. Ele está livre para se dedicar aos Estudos Clássicos, numa linha humanística.

1531 – Depois de uma breve passagem por Noyon, Calvino volta para Paris em Junho.

1531-1532 – Calvino estuda intensamente o Grego em Paris. Contempla uma carreira como Humanista, dedicado aos estudos clássicos.

1532 (Abril) – Calvino publica, aos 24 anos, e às próprias custas, seu primeiro livro: um Comentário sobre o livro De Clementia, de Sêneca.

1532 -1533 – Mais ou menos nessa época Calvino passa por uma experiência que ele interpreta como de “súbita conversão” religiosa. Data dessa época sua identificação com o movimento da Reforma e também sua crença de que Deus o havia separado e chamado para uma missão – que, contudo, não lhe estava clara. Sua conversão e sua vocação parece estarem profundamente relacionados, segundo seu próprio relato (de muito tempo depois, 1557, num Comentário ao Livro dos Salmos).

1533 (final) – Calvino foge de Paris, por causa do início de uma severa perseguição aos protestantes (huguenotes) e simpatizantes. Suspeita-se que Calvino tenha sido o autor oculto (“ghost writer“) de um pronunciamento inflamado (e “inflamante”), interpretado pelos católicos e pelo rei, como protestante, feito pelo recém-escolhido Reitor da Universidade de Paris, Nicolas Pop, em 1/11.

1533-1536 – Longe de Paris, Calvino perambula por partes da França onde não seria identificado, pela Suíça (Basiléia) e pela Itália (Ferrara). Nesse período aprofunda seus estudos de Teologia e começa a trabalhar (a partir de 1535) no que seria o seu primeiro livro de Teologia, as Institutas da Religião Cristã, um compêndio sistemático de Teologia Reformada. Curiosamente, Calvino adotou, nesse período, o pseudônimo de Martinus Lucianus. Martinus é o primeiro nome, em sua versão latina, de Lutero. Lucianus é um anagrama de Caluinus — o “u” podendo substituir o “v” em alguns casos em Latim).

1534 (4/5) – Calvino abre mão de seu benefício junto à Igreja Católica Romana de Noyon (Capelania de La Gèsine) e rompe os seus laços com ela.

1536 (Março) – Calvino publica a primeira edição das Institutas da Religião Cristã, com menos de 27 anos. Pelo que consta, ele terminou de escrever o livro em Agosto do ano anterior, com 26 anos recém-completados.

1536 – (Julho) Calvino resolve ir para Estrasburgo, para trabalhar com Thomas Bucer, reformador local.

1536 (Julho) – Calvino faz uma parada de pernoite, pelo que seria apenas uma noite, em Genebra, lá encontra-se com Guilherme Farel, que tentava implantar a reforma na cidade, e é convencido por ele a permanecer ali e ajuda-lo. Relutante, Calvino, que acabava de completar seu 27o. Aniversário, aceita. Parece que interpretou a insistência de Farel como um recado divino. O próprio pernoite em Genebra pode ter sido parte do plano divino, porque só aconteceu por causa da guerra entre Francisco I, rei da França, e Carlos V, o Imperador do Sacro Império Romano…

1536 – Genebra não fazia ainda parte da Confederação Helvécia (Confederatio Helvetica): algo que veio a acontecer apenas em 1815. Mas acabava de se tornar independente e de se considerar uma república livre. Era, agora, uma cidade autônoma, que havia acabado de conquistar sua dupla liberdade: político-militar, derrotando os Duques de Savóia, e religiosa, expulsando o bispo da cidade. Dois meses antes, em Maio, a cidade, através de seu Conselho, havia repelido a autoridade papal, dissolvido os mosteiros (monastérios) e abolido a missa, tomando passos decisivos para tornar Genebra uma cidade protestante.

1536-1537 – Calvino e Farel trabalham duro e rápido e preparam uma série de artigos (que, posteriormente, vieram a ser chamados de “As Ordenanças Eclesiásticas” [Les Ordonnances Ecclésiastiques]), que basicamente reformavam a igreja e o culto de Genebra, transformando a cidade em uma república protestante (porque a igreja era territorial – seguindo a tradição vigente na Europa, a igreja fazia parte do governo da cidade. Foi só nos Estados Unidos, tempos depois, que a separação entre a igreja e o estado foi adotada).

1537 (12/2) – Calvino é selecionado como pastor oficial da principal igreja da cidade de Genebra, passando a ocupar o púlpito da antiga Catedral de São Pedro (Cathédrale de Saint Pierre). Entre sermões, palestras, estudos bíblicos, ocupava o púlpito no mínimo cinco vezes por semana. Registre-se que Calvino era formado em Direito, nunca havia estudado Teologia formalmente, e nunca havia sido ordenado eclesiasticamente. Também nunca o foi, depois.

1537 – Os insatisfeitos mostram sua cara e começa a crescer a oposição a Calvino e Farel. Aparentemente o povo, ao se livrar do bispo e do papa, esperava um pouco mais de liberdade do que lhe concediam os artigos das futuras ordenanças que Calvino e Farel procuravam implementar.

1538 – Sob pressão do movimento de oposição a Calvino e Farel, o Conselho da cidade de Genebra dispensa Calvino e Farel e os expulsa da cidade.

1538 – Calvino vai finalmente para Estrasburgo (com um pequeno atraso de dois anos).

1538 – Em Estrasburgo, Thomas Bucer dá a Calvino a incumbência de pastorear uma igreja de refugiados protestantes franceses, algo que ele relutou a aceitar mas depois teve grande satisfação em executar. Sob a influência de Thomas Bucer, o líder reformado de Estrasburgo, Calvino aperfeiçoa sua visão da organização eclesiástica e da liturgia do culto.

1539 (8/4) – Calvino publica, enquanto em Estrasburgo, a segunda edição das Institutas, bem maior em tamanho, com várias modificações no conteúdo, e com radical reestruturação no ordenamento dos assuntos (que, na primeira edição, seguiam os itens do Credo).

1540 (8/4) – Depois de se recusar a se casar com a filha de um nobre, Calvino resolve se casar com uma viúva, Idelette de Bure, que já tem dois filhos de casamento anterior. Calvino tem 30 anos e meio. [Coincidência: a mulher de Lutero tinha o sobrenome “von Bora”; a de Calvino, “de Bure”].

1540 – Calvino escreve, a pedido do Conselho de Genebra, uma resposta ao Cardeal Sadoletto, que havia escrito um pequeno tratado conclamando os genebrinos a readotar a Igreja Católica Romana. A resposta de Calvino é muito elogiada em Genebra, cuja população não queria saber de os Católicos voltarem.

1540 – Calvino publica seu Comentário à Carta de Paulo aos Romanos — o primeiro de um grande número de comentários que vai escrever sobre os livros bíblicos.

1541 – O Conselho de Genebra convida Calvino a voltar para Genebra para impor ordem na cidade, que, depois de sua saída, havia se tornado meio anárquica. Calvino a princípio se recusa a voltar, porque estava satisfeito em Estrasburgo, mas, sob pressão, volta. [Mais uma vez Calvino sucumbe à pressão, sempre entendendo-a como um recado divino. Ele ainda estava em busca do que Deus reservava como chamado e missão para ele.]

1541 (Novembro) – O Conselho de Genebra finalmente aprova Les Ordonnances Ecclésiastiques, com as mudanças que a experiência em Estrasburgo sugeriu a Calvino.

1542 – Idelette de Bure tem um filho que morre logo depois. Foi o único filho que Calvino teve, e viveu pouco tempo. Em consequência da gravidez e do parto a saúde de Idelette foi bastante fragilizada.

1546-1553 – Calvino sofre nova onda de oposição em Genebra, mas, por volta de 1553, com o apoio do Conselho, derrota, por volta de 1553, e agora definitivamente, a oposição a ele e à causa reformada.

1549 – Idelette de Bure morre.

1553-1564 – Calvino “reina supremo” em Genebra e sua influência internacional se expande consideravelmente. Calvino se torna o principal expoente da Reforma Protestante nesse período e o Calvinismo o principal ramo da Reforma, alcançando a Alemanha, a Holanda, o Leste Europeu e as Ilhas Britânicas. Da Inglaterra, da Escócia e da Holanda, o Calvinismo acabou chegando às Colônias Inglesas na América, em variantes puritanas e presbiterianas.

1553 (27/10) – Michel Servetus, médico e cientista, é queimado por heresia em Genebra, por decisão do Conselho, com anuência de Calvino. Apesar de a prática de queimar hereges ser comum na época, essa anuência de Calvino à execução de Servetus fica como uma mancha na biografia de Calvino.

1559 – Calvino publica a última edição das Institutas, com quatro livros e oitenta capítulos. A melhor tradução crítica para o Inglês, feita em meados do século 20, com notas de rodapé, etc., chega a 1.500 páginas.

1564 (27/5) – Calvino morre, em Genebra, um mês e pouco antes de completar 55 anos.

 [Composto com base em várias fontes: Alister McGrath, A Vida de João Calvino; Ronald Wallace, Calvino, Genebra e a Reforma; W. Stanford Reid (org), Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental (além de artigos na Internet).

Em São Paulo, 4 de Setembro de 2014.

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