A Reforma Protestante nas Ilhas Britânicas (“British Isles”)

I. As Ilhas Britânicas

A expressão “Ilhas Britânicas”, em Português, pode se referir a duas expressões em Inglês que possuem sentidos distintos:

  • British Isles
  • British Islands

1. “British Isles

Essa expressão se refere a uma entidade geográfica: um grupo de ilhas ao Noroeste da Europa Continental composto por duas ilhas principais e cerca de seis mil [sic] ilhas menores, sem grande importância. As duas ilhas principais são:

  • A Ilha da Grã-Bretanha [Island of Great Britain]
  • A Ilha da Irlanda [Island of Ireland])

(http://en.wikipedia.org/wiki/British_Isles)

2. “British Islands

Essa expressão se refere a uma entidade política: um conjunto de quatro estados, a saber:

  • Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (“United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland”)
  • Bailiwick of Jersey
  • Bailiwick of Guernsey
  • Isle of Man

(http://en.wikipedia.org/wiki/British_Islands)

Neste artigo, quando falo em “Ilhas Britânicas”, refiro-me, basicamente, à entidade geográfica (British Isles). A entidade política será mencionada de outras formas, fazendo-se referência aos estados que a compõem.

British Isles

II. Reino Unido e República da Irlanda

Existem, hoje, dois estados independentes e soberanos nas duas principais Ilhas Britânicas:

  • Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (“United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland”)
  • República da Irlanda (“Republic of Ireland”)

1. Reino Unido

O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (“United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland”) é, hoje, um estado composto por quatro países ou nações:

  • Inglaterra (“England”)
  • País de Gales (“Wales”)
  • Escócia (“Scotland”)
  • Irlanda do Norte (“Northern Ireland”)

(Vide http://en.wikipedia.org/wiki/United_Kingdom)

A. Inglaterra

A Inglaterra é o principal país do Reino Unido.

(Vide http://en.wikipedia.org/wiki/England)

B. País de Gales

O País de Gales foi anexado à Inglaterra de 1535 1542 pelos chamados “Wales Acts”. A anexaçãoo do País de Gales não alterou o nome do país principal, que continuou a ser chamado de Inglaterra.

(Vide http://en.wikipedia.org/wiki/Wales)

C. Escócia

Em 1707 a Escócia se uniu à Inglaterra (e o País de Gales), formando o Reino da Grã-Bretanha (“Kingdom of Great Britain”).

(Vide http://en.wikipedia.org/wiki/Scotland)

D. Irlanda do Norte

A questão aqui é um pouco mais complicada.

Originalmente, em 1801, o Reino da Irlanda (“Kingdom of Ireland”) se uniu ao Reino da Grã-Bretanha, formando o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda (“United Kingdom of Great Britain and Ireland”).

A partir de 1921 (em um processo que durou até 1948), o Reino da Irlanda foi dividido em dois países ou nações:

  • Uma parte bem maior (cerca de 5/6), ao Sul da Ilha da Irlanda, se tornou independente, formando a República da Irlanda (“Republic of Ireland”), tendo Dublin como capital, e deixando de fazer parte do Reino Unido
  • Uma parte menor (cerca de 1/6), ao Norte da Ilha da Irlanda, continuou a ser um país ou nação incorporado ao Reino Unido, com o nome de Irlanda do Norte (“Northern Ireland”), tendo Belfast como capital.
  • Com essa mudança, o Reino Unido passou a se chamar Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (“United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland”).

(Vide http://en.wikipedia.org/wiki/Northern_Ireland)

Geograficamente, a Inglaterra, o País de Gales e a Escócia ocupam a Ilha da Grã-Bretanha (“Island of Great Britain”); a Irlanda do Norte e a República da Irlanda ocupam a Ilha da Irlanda (“Island of Ireland”). As duas ilhas, juntas, formam, como se disse atrás, as Ilhas Britânicas (“British Isles”).

2. República da Irlanda

Como se viu atrás, em um processo longo e complexo, que durou de 1921 a 1948, a maior parte da Ilha da Irlanda se tornou um país independente e soberano, com o nome de República da Irlanda (“Republic of Ireland”).

(Vide http://en.wikipedia.org/wiki/Republic_of_Ireland)

3. O Recente Plebiscito Escocês

Em 18 de Setembro deste ano de 2014 os escoceses votaram para decidir se se a Escócia voltaria a ser um estado independente ou autônomo (“Sim”) ou se permaneceria como parte do Reino Unido (“Não”). 55% da população credenciada a votar votou “Não” e 45% votou “Sim”. Desta forma, a Escócia continua como parte do Reino Unido.

III. Reforma Protestante

Quando se fala em Reforma Protestante, nesse contexto, em geral se fala em “Reforma na Inglaterra”, por pelo menos duas razões.

Primeiro, porque, em 1534, quando se data o início da Reforma nessa região, não havia ainda um Reino Unido, nem mesmo o Reino da Grã-Bretanha. Exceto no caso do País de Gales, que começou a se integrar com a Inglaterra em 1536, dois anos depois do rompimento de Henrique VIII com o Papado, a união da Inglaterra (mais o País de Gales) com a Escócia se deu em 1707 e com a Irlanda em 1801.

Segundo, porque a Inglaterra é o país maior e mais importante das Ilhas Britânicas.

No entanto, para aqueles que fazem parte da tradição “reformada” (inspirada pela Reforma de João Calvino, em Genebra, Suíça), os eventos que ocorreram na Escócia, ao longo dos séculos 16 e 17, foram extremamente importantes, porque foi lá que, sob o comando de John Knox, floresceu a tradição “reformada” e surgiu a Igreja Presbiteriana.

As igrejas “reformadas” que foram criadas nas Colônias Britânicas da América, nos séculos 16 e 17, e a Igreja Presbiteriana que foi formalmente criada em 1706, com a criação do primeiro Presbitério em solo americano (o Presbitério de Filadélfia), tinha membros basicamente de três origens:

  • Puritanos oriundos da Inglaterra, que colonizaram principalmente a chamada “Nova Inglaterra”, e que eram reformados mas não necessariamente presbiterianos, e que constituíram a base da Igreja Congregacional (hoje United Church of Christ) na América;
  • Reformados oriundos da Irlanda e da Escócia, que colonizaram principalmente as chamadas “Colônias Médias”, e que eram reformados e presbiterianos.

Assim, os três principais países que vieram oportunamente a constituir o Reino Unido e a República da Irlanda estavam já presentes na América nos séculos 16 e 17. Foi de lá que, no século 19, vieram para o Brasil.

Em São Paulo, 25 de Setembro de 2014

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